
Bugio (Farol do) – Mais correctamente Forte de São Lourenço do Bugio, também conhecido como Forte de São Lourenço da Cabeça Seca ou simplesmente Torre do Bugio, localiza-se a meio das águas da foz do rio Tejo, na altura da Vila de Oeiras, freguesia de Oeiras e São Julião da Barra. O local onde se ergue è um banco de areia formado pelo assoreamento da foz do rio, fruto da dinâmica da confluência das suas águas com as do Oceano Atlântico, ao ritmo das marés. Sendo o único da região com a superfície acima da linha de marés durante todo o ano, ficou-lhe a toponímia de cabeço ou cabeça seca. A ideia de uma fortificação para a barra do rio Tejo, com a função de protecção do acesso marítimo à cidade de Lisboa, foi primeiramente apresentada no reinado de D. Sebastião pelo arquitecto Francisco de Holanda, indicando para essa finalidade o areal da Cabeça Seca. O soberano acatou essa sugestão, encarregando, em 1578, D. Manuel de Almada de erguer essa estrutura, com a função estratégica de cruzar fogos com a primitiva Torre de São Gião. Optou-se por uma estrutura de campanha de pequenas dimensões erguida sobre estacaria de madeira, que entulhada com pedras, serviu de alicerce para uma plataforma com algumas peças de artilharia. A fragilidade do material, entretanto, aliada à instabilidade do banco de areia e á acção das correntes e das marés, em pouco tempo, comprometeu irremediavelmente a estrutura. À época do rei D. Filipe, foi solicitado ao engenheiro militar italiano Giovani Vicenzo Casale um estudo para melhorar o sistema defensivo da barra de Lisboa então sob ameaça de corsários ingleses e holandeses. Com a morte de Casale, foram nomeados para dirigir as obras dois discípulos seus, Tibúrcio Spannochi e Anton Coll. A partir de 1598 a direcção da obra foi assumida pelo engenheiro militar Leonardo Torriani, a partir de então o projecto entrou numa nova fase. Quando da Restauração da Independência, D. João IV determinou por Decreto Real que as obras fossem concluídas por um engenheiro português. Iniciou-se assim, uma nova etapa construtiva, sob a superintendência do conde de Cantanhede, até serem dadas como concluídas em 1657. Em planta datada de 1693 já se encontra figurada uma torre encimada por um farol. O relatório de inspecção efectuado em 1751 ao farol, mostra que o mesmo operava com azeite, no período de Outubro a Março. Esta estrutura, destruída pelo terramoto de 1755, foi reedificada como um dos seis faróis erguidos na costa portuguesa para auxílio à navegação, conforme determinação de um alvará do Marquês de Pombal datado de 1758. O novo farol entrou em funcionamento em 1775. Quando da eclosão da Guerra Peninsular, foi ocupado pelas tropas napoleónicas (1807), e, posteriormente, durante as Guerras Liberais, foi alvo do fogo da artilharia da esquadra francesa que, sob o comando do almirante Roussin, forçou a barra do Tejo (1831). No término da 2ª Guerra Mundial, sem valor defensivo, foi entregue pelo Ministério da Guerra á Direcção dos Serviços de Faróis do Ministério da marinha. Foi declarado como imóvel de interesse público em 18 de Julho de 1957. Severamente danificado pelo tempo e pela erosão das águas, a partir da década de 1950 sofreu diversas intervenções de consolidação, reparos e conservação. O Forte do Bugio, foi inspirado no Castel Sant`Angelo em Roma, Itália, e, por sua vez serviu de modelo para o Forte de São Marcelo na cidade de Salvador na Bahia de Todos os Santos, Brasil.

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